“Por que preservar?
Para que investir tanto tempo e dinheiro na guarda daquilo que já passou? Por que importar-se com conquistas, pessoas, eventos (documentados ou não) que ficaram nas brumas do tempo e que, hoje em dia, não trazem retorno prático para ninguém?”
Quantas vezes já ouvimos tanta gente formular estas perguntas?
Vivendo num país em desenvolvimento, onde as prioridades circulam em outras esferas, é fácil não encontrar eco nestas perguntas. Como podemos falar em investir na preservação de antigos artefatos, quando não há dinheiro suficiente para colocar comida na mesa?
Este argumento faria sentido, a princípio, se não fosse por um detalhe: por que exatamente não há comida na mesa?
O que nos diferencia dos ingleses, alemães ou japoneses? Esses povos, depois de verem seus países praticamente destruídos por conflitos mundiais, reergueram-se e souberam seguir adiante, sem esquecer de reverenciar e preservar seu passado para futuras gerações.
A preservação da memória brasileira ainda está na sua infância e, até há bem pouco tempo, dependia muito do apoio de órgãos governamentais. Assim sendo, a preservação de nossa história nem sempre era desprovida de tendências.
Mais recentemente, temos observado um pouco mais de abertura à iniciativa privada, o que em muito impactou a gradual, mas certeira mudança no papel da cultura geral para o Brasileiro.
A cultura do conhecimento
No mundo, existem dois tipos de homem: o informado e o ignorante. As definições são certeiras – ou você sabe, ou então está fora.
Mas, como é que os países desenvolvidos conseguiram chegar a uma equação equilibrada?
A resposta parece estar nas estatísticas: todos esses países investiram na educação, mostrando aos seus respectivos povos que só a cultura informa, educa e liberta o homem da escuridão e do isolamento da ignorância
Saber, conhecer, são a maior dádiva do homem.
No conhecimento, podemos olhar para o lado e refletir: “Sei um pouco de onde isto veio, por que está aqui, e para onde irá depois”. O conhecer nos permite “fazer parte” e “ligar os pontos” dos mistérios do mundo que nos cerca.
Muito se falou na revolução digital, na substituição da imprensa escrita pela eletrônica e na extinção das bibliotecas e dos museus.
Passados mais de 15 anos desde a popularização do uso de computadores pessoais, vemos filas e mais filas de ávidos leitores se formando nas livrarias toda vez que um novo livro do Harry Potter é publicado. Testemunhamos o aumento e a revitalização de museus ao redor do planeta, para onde antigas gerações de visitantes levam seus filhos a desfrutar desta maravilhosa aventura rumo ao conhecimento humano.
Por quê? Porque nada substitui o prazer de explorar, de descobrir e de estimular o raciocínio in loco.
Nada engrandece mais o homem do que o conhecimento.
E o museu é o templo do conhecimento. É o registro de nossas conquistas e o ponto de partida para uma melhor compreensão de quem fomos, o que somos e como poderemos construir nossos futuros.
Sem a preservação da memória, sem o museu, sem cultura, não temos a menor chance de ver um Brasil mais maduro, mais preparado, mais conhecedor e mais culto.
Somente o conhecimento salvará nosso país. Somente um povo mais culto e articulado terá condições de planejar sua vida e ter controle sócio-econômico sobre sua jornada. O brasileiro culto terá as ferramentas para se posicionar melhor num mercado cada vez mais exigente.
E, no final das contas, terá dinheiro suficiente para colocar comida em sua mesa.
Jorge Darze Filho
O museu e o homem: razão de ser
- 31 de março de 2009
6 comentários
Justificar um museu , só mesmo no nosso país.E é isso o que torna mais bela ainda a empreitada da nossa querida TAM , que tanto fez , faz e continuará fazendo pelo Brasil.
Estamos , eu e meus amigos do Clube Ceu , do Rio ,ansiosos pela reabertura do museu quando então planejamos fazer uma revoada até aí.
No que se refere ao T-33 , acabei de ver um em vôo realizando inclusive loopings e tunneaus em Lakeland.Parecia ter saído da fábrica.
Saudações aeronauticas,
Ricardo
Alo Ricardo.
Inicialmente, obrigado por suas palavras elogiosas.
O projeto final do museu, contempla um generoso estacionamento de aeronaves, a 50 metros do museu. Isto será possível, com a remoção dos quatro galpões, transformados em hangares, onde hoje efetuamos os reparos e restaurações dos nossos tesouros. Deveremos então, construir um novo hangar, mais amplo e com instalações voltadas para esta atividade. Assim, poderemos estacionar na frente do museu, qualquer coisa perto de 60 aeronaves visitantes (monomotores). Este parque de estacionamento evidentemente se transformará numa atração do museu.
Quanto ao T-33 mencionado, iremos apresentar o nosso Shooting Star, com as cores em que ele atuou na FAB. Está em trabalhos finais de pintura e ficará exposto ao lado de outros valorosos caças.
Quando vierem, tragam se necessário for, à força o amigo Armando Nogueira.
Saudações
Gostaria de pedir ao museu da TAM que tentasse adquirir para o seu acervo o PP-SMA , o primeiro 737 matriculado no país, ex VASP que está apodrecendo em CNF.
Parabéns pela iniciativa, nós amantes da aviação agradecemos às “alturas”.
Quando será reaberto o Museu para visitas?
Concordo totalmente com o texto ” por que preservar”.
Guardo para meus netos fotos, notícias, e artigos que possam ajudá- los a entender a evolução.
Existiria internet se antes não tivessemos passado pelo telex, pelo “bip” ?
Aguardo a reinauguração do MUSEU.
Luiz Alberto.
Amigo Luiz Alberto
O criador do excelente artigo o amigo Jorgr Darze Filho foi muito feliz quando menciona:-
“O museu é o templo do conhecimento. É o registro de nossas conquistas e o ponto de partida para uma melhor compreensão de quem fomos, o que somos e como poderemos construir nossos futuros.”
E de fato, alí estão reunidos, testemunhas silenciosas dos avanços da tecnologia e da própria humanidade.
Os museus são valiosos instrumentos de cultura de que nossa nação tanto necessita e tambem, formadores vocacionais dos jovens e adolescentes.
Estes fatos, pesaram significativamente quando decidimos criar o museu, que surgiu porque, fundalmentalmente marcava a nossa origem de aviadores.
Vejam o que disse o ex Min. da Aeronautica - Ten Brig. Joelmir Campor Araripe Macedo
“A história não é um somatório de fatos mas, antes, um legado de experiências. Conhecê-la, é reunir dados que os números não contam e entender os erros do passado para não repeti-los.
É enfim, uma forma de preparar-se para o futuro”.
T
Saudações